Ichitami Shikanai sensei, nosso mestre, em Israel (2009), mostra Yokomen uchi shiho nage.
Aikikai Belém-Shikanai
Este Blog tem o objetivo de ser um canal rápido e interativo de compartilhar artigos, noticias, fotos e videos referentes à arte do Aikido em geral, e do grupo Aikikai Belém-Shikanai especificamente.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
NOVA CASA
Já começamos nossos treinos no novo dojô, na academia Dos Anjos. O endereço é: Travessa Quintino Bocaiuva 812, entre Tiradentes e Aristides Lobo, a dois passos dos fundos do Shopping Doca Boulevard.
Os treinos acontecem Terças e Quintas (inicio 20:30h)e um sábado por mês.
Apareçam para conhecer! Serão todos muito benvindos.
(clique na imagem para ampliar)
domingo, 27 de fevereiro de 2011
domingo, 31 de outubro de 2010
Aikido para todos
Demonstração com Myoshi San, 82 anos, 2º dan, começou no Aikido com 72 anos. Que exemplo para todos nós.
domingo, 24 de outubro de 2010
SEMINÁRIO COM HARUYOSHI HORIKOSHI E ICHITAMI SHIKANAI SHIHANS










Realizamos seminário com o nosso mestre, Ichitami Shikanai sensei e Haruyoshi Horikoshi sensei. Foi a primeira vez que recebemos um convidado internacional, bem como a primeira vez que houve um evento com dois shihans (7º dan, Aikikai)em Belém
As aulas com os mestres foram excelentes e pudemos ver como pequenas diferenças na execução podem acrescentar e não prejudicar o aprendizado. Foi muito proveitoso.
Ao lado fotos do evento.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Nosso mestre: Ichitami Shikanai Shihan

Considero este homem como meu pai no caminho marcial que escolhi. Sem mistificação ou qualquer espécie de fanatismo, sua presença é impactante, além da maestria que facilmente consegue se perceber. Neste micro-curriculo não é possivel ter a minima noção de sua capacidade como artista marcial e pessoa humana. Sua discrição extrema só é suplantada por sua habilidade, humildade e esforço por desenvolver a arte do Aikido.
Mestre Ichitami SHIKANAI
Japonês de Aomori, estudou Economia na Universidade Meiji (Tóquio, Japão). Chegou ao Brasil, em 1975, na delegação de seu Mestre Yasuo Kobayashi (aluno direito do Fundador Morihei Ueshiba). Possui graduações em AIKIDO (faixa-preta 7º dan- Shihan), em Shinto Muso Ryu Jojutsu- instrutor assistente licenciado) e IAIDO (faixa-preta 2º dan ). Pesquisador incansavel de Jodo, pertence ao grupo do Grão Mestre Tsuneo Nishioka. É o supervisor responsável pelo AIKIDO e JODO em Barra Mansa - Belém - Belo Horizonte - Brasília - Goiânia - Niterói - Rio de Janeiro - São Paulo - Manaus - Jerusalém (Israel), entre outras cidades. Visita regularmente nossa cidade para ministrar seminários e exames de faixa. Atualmente é praticante de Aikido mais graduado no país.
SÍNDROME DE SHIHAN OU COMO SUCUMBIR AO LADO NEGRO DA FORÇA
Agora um texto meu. Apesar disso, tem alguma qualidade e pode ter alguma utilidade quando a gente começar a se achar a ultima bolacha do pacote.
SÍNDROME DE SHIHAN OU COMO SUCUMBIR AO LADO NEGRO DA FORÇA
Todos aqueles que chegam à faixa-preta já experimentaram a dureza que este caminho exige.
Penso que ninguém, ao começar, levou a sério a possibilidade de tornar-se um yudansha (detentor da faixa-preta).
No inicio você não sabe nem como se portar, o que dizer e, principalmente, como ficar calado.
Mas o tempo passa e você descobre que já não é mais um novato e que outros estão agora tentando aprender o que para você, hoje, é obvio, de tão natural.
Começa a crescer em você o monstro do ego inflado. Você passa a ser responsável por auxiliar nas aulas, dando um pequeno auxílio ao professor, normalmente preocupado em atender especialmente os iniciantes.
É difícil, mas seu professor alerta a todos da tentação de sentirem-se superiores, (geralmente acompanhando a fala com uma demonstração bem pequena do quanto você ainda precisa estudar e se desenvolver).
Chegam os exames, após um tempo e você está tão absorvido em aprender as técnicas mais avançadas dos kyus (graduações abaixo da faixa-preta) que algumas vezes esquece de ajudar seus colegas mais novos, pelos caminhos que você mesmo até bem pouco tempo percorreu com dificuldade.
Aí chega o principal exame da sua vida na arte marcial, aquele do qual você nunca esquecerá: na frente de seus sempai, de seus mestres, professores e até mesmo dos novatos você arfa, transpira e exulta quando lhe pedem, finalmente, para cumprimentar seu parceiro e retornar ao seu lugar.
Neste momento em que você é reconhecido como mais um faixa-preta do seu grupo é que a receita pode desandar.
A tentação é forte; tão forte que seu espírito, que parecia forjado pelas orientações, broncas e esforço de seu professor pode fraquejar, e aí, sem você se dar conta, se instala uma doença mais ou menos fatal: A síndrome de shihan, que consiste numa (quase) irresistível tentação à:
1- Após pesquisar, “descobrir” um meio mais “eficiente” de realizar uma técnica: mais eficiente até do que a forma como seu mestre faz;
2 – Colocar a prova suas pesquisas apenas nas condições controladas por você: apenas com seus amigos e possíveis alunos;
3 – Deixar mais ou menos claro, que chegou aonde está por esforço próprio, expondo as “mazelas” da atuação do seu anteriormente modelo que foi seu professor;
4 – Dificultar sempre que alguns alunos ou desafetos lhe façam uma técnica: (ora, tem se de manter minha posição!)
5 – Acostumado a ter a última palavra, agora nosso guerreiro já nem presta atenção às palavras ou aulas do mestre: está se “desenvolvendo” em um “caminho próprio”, ainda que não diga isto abertamente;
6 – Sua busca de autonomia não vê limites; seu mestre, (ex)modelo e referência torna-se quase um estorvo, dentro de seu novo e limitado modo de entender o desenvolvimento;
7-As avaliações sobre seus alunos só são acuradas quando feitas por si mesmo. Para ele outros professores não são capazes de perceber as sutilezas que indicam o desenvolvimento maduro de seus alunos.
Enfim, a síndrome de shihan é uma doença que ilude suas vitimas a acreditarem que, após certo tempo, suas pesquisas (e elas mesmas) estão acima de quaisquer considerações hierárquicas ou simples bom senso.
Se uma mudança dá certo no limitado círculo de seus alunos, por ele é considerada como dogma a ser consagrado.
Ora, seu mestre não só acumula muito mais tempo no caminho da arte, como exerce seus estudos e pesquisas com dezenas ou centenas de alunos, iniciantes e graduados, tanto em seu próprio dojo quanto em cursos e seminários. Nesse ínterim, o mestre vai separando as técnicas que serão revistas/aperfeiçoadas, com o cuidado de quem trata uma preciosa herança, pois tem consciência de que este também será seu legado.
Após cingir-se de preto, o praticante deve meditar e refletir, de forma consistente sobre quão enganosa pode ser a tentação de ter, sempre, a ultima palavra...
Seria o caso, então, de encerrar a pesquisa somente nas mãos do mestre? Certamente que não. Isso negaria a chance de ouro de, nas dúvidas surgidas, haver o verdadeiro crescimento: Aquele fruto de experiências compartilhadas, fraquezas equacionadas e a certeza de muito chão à frente!
Junior Soares
Aikikai Belém-Shikanai
SÍNDROME DE SHIHAN OU COMO SUCUMBIR AO LADO NEGRO DA FORÇA
Todos aqueles que chegam à faixa-preta já experimentaram a dureza que este caminho exige.
Penso que ninguém, ao começar, levou a sério a possibilidade de tornar-se um yudansha (detentor da faixa-preta).
No inicio você não sabe nem como se portar, o que dizer e, principalmente, como ficar calado.
Mas o tempo passa e você descobre que já não é mais um novato e que outros estão agora tentando aprender o que para você, hoje, é obvio, de tão natural.
Começa a crescer em você o monstro do ego inflado. Você passa a ser responsável por auxiliar nas aulas, dando um pequeno auxílio ao professor, normalmente preocupado em atender especialmente os iniciantes.
É difícil, mas seu professor alerta a todos da tentação de sentirem-se superiores, (geralmente acompanhando a fala com uma demonstração bem pequena do quanto você ainda precisa estudar e se desenvolver).
Chegam os exames, após um tempo e você está tão absorvido em aprender as técnicas mais avançadas dos kyus (graduações abaixo da faixa-preta) que algumas vezes esquece de ajudar seus colegas mais novos, pelos caminhos que você mesmo até bem pouco tempo percorreu com dificuldade.
Aí chega o principal exame da sua vida na arte marcial, aquele do qual você nunca esquecerá: na frente de seus sempai, de seus mestres, professores e até mesmo dos novatos você arfa, transpira e exulta quando lhe pedem, finalmente, para cumprimentar seu parceiro e retornar ao seu lugar.
Neste momento em que você é reconhecido como mais um faixa-preta do seu grupo é que a receita pode desandar.
A tentação é forte; tão forte que seu espírito, que parecia forjado pelas orientações, broncas e esforço de seu professor pode fraquejar, e aí, sem você se dar conta, se instala uma doença mais ou menos fatal: A síndrome de shihan, que consiste numa (quase) irresistível tentação à:
1- Após pesquisar, “descobrir” um meio mais “eficiente” de realizar uma técnica: mais eficiente até do que a forma como seu mestre faz;
2 – Colocar a prova suas pesquisas apenas nas condições controladas por você: apenas com seus amigos e possíveis alunos;
3 – Deixar mais ou menos claro, que chegou aonde está por esforço próprio, expondo as “mazelas” da atuação do seu anteriormente modelo que foi seu professor;
4 – Dificultar sempre que alguns alunos ou desafetos lhe façam uma técnica: (ora, tem se de manter minha posição!)
5 – Acostumado a ter a última palavra, agora nosso guerreiro já nem presta atenção às palavras ou aulas do mestre: está se “desenvolvendo” em um “caminho próprio”, ainda que não diga isto abertamente;
6 – Sua busca de autonomia não vê limites; seu mestre, (ex)modelo e referência torna-se quase um estorvo, dentro de seu novo e limitado modo de entender o desenvolvimento;
7-As avaliações sobre seus alunos só são acuradas quando feitas por si mesmo. Para ele outros professores não são capazes de perceber as sutilezas que indicam o desenvolvimento maduro de seus alunos.
Enfim, a síndrome de shihan é uma doença que ilude suas vitimas a acreditarem que, após certo tempo, suas pesquisas (e elas mesmas) estão acima de quaisquer considerações hierárquicas ou simples bom senso.
Se uma mudança dá certo no limitado círculo de seus alunos, por ele é considerada como dogma a ser consagrado.
Ora, seu mestre não só acumula muito mais tempo no caminho da arte, como exerce seus estudos e pesquisas com dezenas ou centenas de alunos, iniciantes e graduados, tanto em seu próprio dojo quanto em cursos e seminários. Nesse ínterim, o mestre vai separando as técnicas que serão revistas/aperfeiçoadas, com o cuidado de quem trata uma preciosa herança, pois tem consciência de que este também será seu legado.
Após cingir-se de preto, o praticante deve meditar e refletir, de forma consistente sobre quão enganosa pode ser a tentação de ter, sempre, a ultima palavra...
Seria o caso, então, de encerrar a pesquisa somente nas mãos do mestre? Certamente que não. Isso negaria a chance de ouro de, nas dúvidas surgidas, haver o verdadeiro crescimento: Aquele fruto de experiências compartilhadas, fraquezas equacionadas e a certeza de muito chão à frente!
Junior Soares
Aikikai Belém-Shikanai
Artigo para iniciantes...
Este texto já rodou por muitos lugares, mas continua muito divertido!
Como reconhecer o grau de cada um no Aikido.
INSTRUTOR CHEFE
Pula edifícios altos sem tomar impulso.
É mais poderoso que uma locomotiva.
É mais rápido que uma bala.
Anda sobre a água.
INSTRUTOR GERAL
Pula edifícios baixos sem tomar impulso.
É mais poderoso que um carro.
É tão rápido quanto uma bala.
Anda sobre a água se o mar está calmo.
Fala com Deus.
INSTRUTOR ASSISTENTE
Pula edifícios baixos tomando impulso e com ventos favoráveis.
É tão poderoso quanto um carro.
É menos rápido que uma bala.
Anda sobre a água numa piscina interna de ginásio.
Fala com Deus, se um pedido especial for aprovado.
NIDAN
Mal passa por cima de uma cabana.
Perde cabo de guerra com um carro.
Pode atirar com um revólver.
Nada bem.
Ocasionalmente, Deus fala com ele.
SHODAN
Faz altas marcas nas paredes quando tenta saltar edifícios.
É esmigalhado por uma locomotiva.
Pode, algumas vezes, manejar uma arma sem se ferir.
Nada cachorrinho.
Fala com animais.
I° KYU
Esbarra nos edifícios.
Reconhece uma locomotiva duas entre três vezes.
Não lhe fornecem munição.
Pode boiar com um salva vidas.
Fala com as paredes.
5°KYU
Tropeça nos degraus tentando entrar nos edifícios.
Diz: “Olha o tchu-tchu!”
Se molha com uma pistola d´agua.
Resmunga.
ESTUDANTE NOVO, QUE APRENDEU ARTE MARCIAL LENDO UM LIVRO.
Levanta edifícios.
Chuta as locomotivas.
Pega as balas nos dentes e as come.
Congela a água com um único olhar.
Ele é Deus.
Como reconhecer o grau de cada um no Aikido.
INSTRUTOR CHEFE
Pula edifícios altos sem tomar impulso.
É mais poderoso que uma locomotiva.
É mais rápido que uma bala.
Anda sobre a água.
INSTRUTOR GERAL
Pula edifícios baixos sem tomar impulso.
É mais poderoso que um carro.
É tão rápido quanto uma bala.
Anda sobre a água se o mar está calmo.
Fala com Deus.
INSTRUTOR ASSISTENTE
Pula edifícios baixos tomando impulso e com ventos favoráveis.
É tão poderoso quanto um carro.
É menos rápido que uma bala.
Anda sobre a água numa piscina interna de ginásio.
Fala com Deus, se um pedido especial for aprovado.
NIDAN
Mal passa por cima de uma cabana.
Perde cabo de guerra com um carro.
Pode atirar com um revólver.
Nada bem.
Ocasionalmente, Deus fala com ele.
SHODAN
Faz altas marcas nas paredes quando tenta saltar edifícios.
É esmigalhado por uma locomotiva.
Pode, algumas vezes, manejar uma arma sem se ferir.
Nada cachorrinho.
Fala com animais.
I° KYU
Esbarra nos edifícios.
Reconhece uma locomotiva duas entre três vezes.
Não lhe fornecem munição.
Pode boiar com um salva vidas.
Fala com as paredes.
5°KYU
Tropeça nos degraus tentando entrar nos edifícios.
Diz: “Olha o tchu-tchu!”
Se molha com uma pistola d´agua.
Resmunga.
ESTUDANTE NOVO, QUE APRENDEU ARTE MARCIAL LENDO UM LIVRO.
Levanta edifícios.
Chuta as locomotivas.
Pega as balas nos dentes e as come.
Congela a água com um único olhar.
Ele é Deus.
Artigo: Resolução de Conflitos: O Aikido na Prática

Um dos melhores textos e talvez o mais inspirador sobre a natureza do Aikido.O autor foi um dos primeiros alunos estrangeiros de O-sensei Morihei Ueshiba.
Resolução de Conflitos: O Aikido na Prática
Por Terry Dobson
O trem atravessava sacolejando os subúrbios de Tóquio numa tarde de primavera. Nosso vagão estava comparativamente vazio: apenas algumas donas de casa com seus filhos e uns velhos indo fazer compras. Eu olhava distraído pela janela a monotonia das casas sempre iguais e das sebes cobertas de poeira.
Chegando a uma estação, as portas se abriram e, de repente, a quietude da tarde foi rompida por um homem que entrou cambaleando no nosso vagão, gritando com violência imprecações incompreensíveis. Era um homem forte, encorpado, com roupas de operário. Estava bêbado e imundo. Aos berros, esbofeteou uma mulher que carregava um bebezinho. A força do tapa fez com que ela fosse cair no colo de um casal idoso. Só por um milagre nada aconteceu ao bebê.
Aterrorizado, o casal deu um pulo e fugiu correndo para a outra extremidade do vagão. O operário tentou ainda dar um pontapé na velha, mas errou a mira e ela conseguiu escapar. Isso o deixou em tal estado de fúria que agarrou a haste de metal no meio do vagão e tentou arrancá-la do balaústre. Pude ver que uma das suas mãos estava ferida e sangrava. O trem seguiu em frente, com os passageiros paralisados de medo. Eu me levantei.
Na época, cerca de vinte anos atrás, eu era jovem e estava em excelente forma física. Vinha treinando oito horas de Aikidô quase todos os dias há quase três anos. Gostava de lutar corpo a corpo e me considerava bom de briga. O problema é que minhas habilidades marciais nunca haviam sido testadas em um combate de verdade. Nós, alunos de Aikido somos proibidos de lutar.
"Aikido", - meu mestre não cansava de repetir, "é a arte da reconciliação. Aquele cuja mente deseja brigar perdeu o elo com o Universo. Se tentarem dominar as pessoas, estarão derrotados de antemão. Nós estudamos como resolver conflitos, não como iniciá-los."
Eu ouvia essas palavras e me esforçava. Chegava a atravessar a rua para evitar os arruaceiros, os pungas dos videogames que costumam vadiar perto das estações de trem. Ficava exaltado com minha própria tolerância e me considerava um valentão reverente, piedoso mesmo. No fundo do coração, porém, desejava uma oportunidade absolutamente legítima em que pudesse salvar os inocentes destruindo os culpados.
- Chegou o dia! - pensei comigo mesmo enquanto me levantava. Há pessoas correndo perigo e se eu não fizer alguma coisa é bem possível que elas acabem se ferindo.
Quando me viu levantando, o bêbado percebeu a chance de canalizar a sua ira.
- Ah! - rugiu ele. Um estrangeiro! Você está precisando de uma lição em boas maneiras japonesas!
Eu estava de pé, segurando de leve nas alças presas ao teto do vagão, e lancei-lhe um olhar de nojo e desprezo. Pretendia acabar com a sua raça, mas precisava esperar que ele me agredisse primeiro. Queria que ficasse com raiva, por isso curvei os lábios e mandei-lhe um beijo insolente.
- Agora chega! gritou ele. Você vai levar uma lição. E se preparou para me atacar.
Mas uma fração de segundo antes que ele pudesse se mexer, alguém deu um berro:
- Ei!
Foi um grito estridente, mas lembro-me que tinha um estranho timbre, jubiloso e cadenciado, como quando estamos procurando alguma coisa junto com um amigo e ele subitamente a encontra: "Ei!"
Virei para a esquerda, o bêbado para a direita. Nós dois olhamos para um velhinho japonês que estava sentado em um dos bancos. Esse minúsculo senhor devia ter bem mais de setenta anos, e vestia um quimono impecável. Não me deu a menor atenção, mas sorriu com alegria para o operário, como se tivesse um importantíssimo e delicioso segredo para lhe contar.
- Venha aqui disse o velhinho num tom coloquial e amistoso. Vem aqui conversar comigo insistiu, chamando-o com um aceno de mão.
O homenzarrão obedeceu, mas postou os pés beligerantemente diante dele e gritou por cima do barulho das rodas nos trilhos:
- Por que diabos vou conversar com você?
Ele agora estava de costas para mim. Se o seu cotovelo se movesse um milímetro que fosse eu o esmagaria. Mas o velhinho continuou sorrindo para o operário.
- O que você andou bebendo? perguntou com os olhos brilhando de interesse.
- Saquê rosnou de volta o operário e não é da sua conta! completou, lançando perdigotos no rosto do velho.
- Que ótimo retrucou o velho. Excelente mesmo. Eu também adoro saquê! Todas as noites, eu e minha esposa aquecemos uma garrafinha de saquê e vamos até o jardim nos sentar num velho banco de madeira. Ficamos olhando o pôr-do-sol e vendo como vai indo o nosso caquizeiro. Foi meu bisavô quem plantou essa árvore, e estávamos preocupados achando que ela não fosse se recuperar das tempestades de gelo do último inverno. Mas a nossa arvorezinha saiu-se melhor do que esperávamos, ainda mais se considerarmos a má qualidade do solo. É gratificante olhar para ela quando levamos uma garrafinha de saquê para apreciar o final da tarde, mesmo quando chove!
E olhava para o operário, seus olhos reluzentes. O rosto do operário, que se esforçava para acompanhar a conversa do velhinho, foi se abrandando e seus punhos pouco a pouco relaxando.
- É, é bom. Eu também gosto de caqui... mas sua voz acabou num sumiço.
- São deliciosos concordou o velho sorrindo. E tenho certeza de que você também tem uma ótima esposa.
- Não retrucou o operário. Minha esposa morreu.
Suavemente, acompanhando o balanço do trem, aquele homenzarrão começou a chorar.
- Eu não tenho esposa, eu não tenho casa, eu não tenho emprego. Eu só tenho vergonha de mim mesmo.
Lágrimas escorriam pelo seu rosto; um frêmito de desespero percorreu-lhe o corpo.
Chegara a minha vez. Lá estava eu, com toda a minha imaculada inocência juvenil, com toda a minha vontade de tornar o mundo um lugar melhor para se viver, sentindo-me de repente mais sujo do que ele.
O trem chegou à minha estação. Enquanto as portas se abriam, ouvi o velho dizer solidariamente:
- Minha nossa, que desgraça. Sente-se aqui comigo e me diga o que houve.
Voltei-me para dar uma última olhada. O operário escarrapachara-se no banco, a cabeça no colo do velhinho, que afagava com ternura seus cabelos emaranhados e sebosos.
Enquanto o trem se afastava, sentei-me num banco da estação. O que eu pretendera resolver pela força fora alcançado com algumas palavras meigas. Eu acabara de presenciar o Aikido num combate de verdade, e a sua essência era o Amor. A partir de agora teria que praticar a arte com um espírito totalmente diferente. Muito tempo passaria antes que eu voltasse a falar sobre a resolução de conflitos.
Terry Dobson, o autor e protagonista desta história, foi um dos poucos ocidentais que foram uchi-deshi e aluno direto do fundador do Aikido, Morihei Ueshiba.
Melhor demonstração de Aikido
Pelo menos para mim... Já vi tanta coisa grotesca na web que sempre recorro à demonstração feita pelo Shihan Masatoshi Yasuno para, digamos, refrescar a mente...
Sensei Yasuno foi um dos alunos mais antigos do Shihan Yamaguchi, 9° Dan Aikikai, já falecido e um dos expoentes desta nossa arte.
A demonstração de Yasuno sensei foi feita nas homenagens pelos 50 anos da morte do sensei Sokaku Takeda, disseminador do Daito-ryu Aikijujutsu, a arte da qual o fundador do Aikido Morihei Ueshiba retirou a maior parte das bases técnicas.
Sensei Yasuno foi um dos alunos mais antigos do Shihan Yamaguchi, 9° Dan Aikikai, já falecido e um dos expoentes desta nossa arte.
A demonstração de Yasuno sensei foi feita nas homenagens pelos 50 anos da morte do sensei Sokaku Takeda, disseminador do Daito-ryu Aikijujutsu, a arte da qual o fundador do Aikido Morihei Ueshiba retirou a maior parte das bases técnicas.
Pra inicio de conversa...
Olá a todos, meus amigos, professores, alunos, meu mestre, familia...
Meu nome é Junior Soares e o grupo do qual sou instrutor chama-se Aikikai Belém-Shikanai e faz parte dos Dojos Shikanai em Belém, Pará. Como o nome já indica, somos alunos de Ichitami Shikanai sensei, 7° dan Aikikai e praticamos a arte do Aikido, além de estudarmos jojutsu da escola Shinto-Muso.
Com todas as dificuldades inerentes à manter atualizado um site completo (www.aikidopara.kit.net), me convenci da necessidade de um blog.
Se esta for realmente uma ferramenta que nos aproxime ainda mais, ótimo.
Pretendo que ele seja um meio de compartilhar tanta coisa boa e as nem tanto assim que penso e vejo na web e em meu dia-a-dia. Espero que gostem...
Meu nome é Junior Soares e o grupo do qual sou instrutor chama-se Aikikai Belém-Shikanai e faz parte dos Dojos Shikanai em Belém, Pará. Como o nome já indica, somos alunos de Ichitami Shikanai sensei, 7° dan Aikikai e praticamos a arte do Aikido, além de estudarmos jojutsu da escola Shinto-Muso.
Com todas as dificuldades inerentes à manter atualizado um site completo (www.aikidopara.kit.net), me convenci da necessidade de um blog.
Se esta for realmente uma ferramenta que nos aproxime ainda mais, ótimo.
Pretendo que ele seja um meio de compartilhar tanta coisa boa e as nem tanto assim que penso e vejo na web e em meu dia-a-dia. Espero que gostem...
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